sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Aziza Mustafa Zadeh -Dance of Fire

Confesso que encontrei este CD por um acaso mais do que absoluto. Nunca tinha ouvido falar em AZIZA MUSTAFA ZADEH e me arrependo profundamente.

AZIZA é uma pianista fabulosa. Nasceu em Baku, capital do Azerbaijão e sinceramente temos poucas notícias daquelas terras. Entretanto este álbum é de 1995 e os músicos que tocam com ela são simplesmente Al DiMeola (violões), Stanley Clarke (baixos), Bill Evans (sax) e Omar Hakim (bateria). Quando me dei conta perguntava “como eles conhecem ela e eu não?”

DANCE OF FIRE tem 11 músicas de autoria dela e os músicos estão completamente à vontade. Bem, Eles sempre estão, mas é que o que se pode notar é que a “conversa” é de iguais. Ela não está com esse time de primeira por acaso. Eles são tão bons quanto ela. O pai dela – VAGIF MUSTAFA ZADEH - era pianista e compositor, famoso por misturar MUGAN – a música tradicional de lá – com o jazz. Sua mãe era uma cantora lírica que abandonou os palcos para se dedicar à carreira da filha, que ganhou o primeiro prêmio do prestigioso concurso de piano Thelonius Monk nos EUA com o seu próprio estilo, herdado das influências diretas pai. Pianista clássica entusiasta de Chopin, ela admite que não pratica o suficiente, apensa deixa a música fluir e sua capacidade de improvisação fica clara na audição de qualquer um de seus discos.

A interação entre os músicos é fantástica. A primeira faixa (BOOMERANG) tem uma divisão que a aproxima de um tango e STANLEY faz uníssonos lindos na segunda faixa (DANCE OF FIRE), sucedido pelo violão de DiMeola. O tema é dividido harmoniosamente entre os três. SHEHEREZADE começa misteriosamente como um tema árabe, pra em seguir revelar-se uma linda balada romântica, praticamente uma valsa, ao passo que ASPIRATION tem inúmeras semelhanças com o novo-tango de PIAZZOLA. A longa BANA BANA GEL traz a bela voz de AZIZA em dueto com a improvisação do sax de EVANS sobre divisões não muito habituais. Seus vocais lembram os da cantora e também tecladista GAYLE MORAN, esposa de CHICK COREA e tecladista da MAHAVISHNU ORCHESTRA. SHADOW abre melancolicamente com o sax de EVANS e permite a AZIZA mostra seu talento na improvisação. CARNIVAL traz a voz de AZIZA em dobras, formando um coro e levanta o astral quase derrubado pela melancolia da anterior, enquanto a seguinte (PASSION) retorna às divisões arrebatadoras das primeiras faixas. Já SPANISH PICTURE permite DiMeola mostrar seu talento, apesar de ter pouco do que chamaríamos de espanhol, mas é indiscutível o tom “mouro” do tema. TO BE CONTINUED é um excelente veículo para o trio mais tradicional do jazz. Um disco tão incrível fecha com uma merecida homenagem em FATHER onde a mistura de MUGAN e jazz passariam despercebidos, não fosse esse um disco de uma pianista do Azerbaijão radicada na Alemanha.

Excelente disco capaz pegar de surpresa qualquer um, como foi meu caso.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

John McLaughlin - Belo Horizonte

JOHN MC LAUGHLIN é um conhecido guitarrista que flertou com os mais diversos estilos, do jazz ao fusion, da música espanhola à indiana. O que poucos sabem é que sua esposa KATIA LABEQUE era a responsável pelos teclados dos discos e shows na década de 80.

BELO HORIZONTE é com certeza um disco que homenageia nossa terra, ou pelo menos uma de nossas cidades. Gravado em 1981 é da fase espanhola dele e traz a presença de dois tecladistas. Além da esposa, que toca piano acústico, FRANCOIS COUTURIER toca piano elétrico. Ambos dividem-se entre os sintetizadores, usados de uma forma sutil, quase orquestral, dando ao álbum uma sensação acústica. Os outros músicos são JEAN PAUL CELEA (baixo), FRANCOIS JEANNEAU (saxes), JEAN PIERRE DROUET e STEVE SHEMAN (percussão) e AUGUSTIN DUMAY (violino) e PACO DE LUCIA (violão).

O fato de o álbum ter sido gravado na França não parece ter influenciado o trabalho do JOHN, mas é clara a aproximação com o som brasileiro. A faixa de abertura é exatamente a que dá nome ao disco e mostra qual a intenção dessa banda liderada pelo irrequieto guitarrista, com os teclados funcionando como uma pequena orquestra e base para seu virtuosismo. ONE MELODY, pela introdução, poderia ser uma música brasileira, mas o andamento acelerado a aproxima das composições do guitarrista belga PHILIPE CATHERINE. Apesar de o destaque ser para o violão de JOHN e o sax de FRANCOIS, a presença dos dois tecladistas não pode deixar de ser notada em uma audição mais cuidadosa. Entretanto é WALTZ FOR KATIA o maior destaque do disco, com a presença do lírico violino de AUGUSTIN na exposição do tema e o intrincado improviso de KATIA, um pouco ao estilo de JOHN, mas mostrando que a pianista, de formação clássica, está perfeitamente à vontade no idioma jazzístico. A bela balada ZAMFIR é outra faixa onde se destaca um dos tecladistas, no caso, um solo de sintetizador de FRANCOIS, que evolui a partir da complementação de uma frase do sax e que é de uma sutileza sem par. O timbre é mais para anos 70 do que 80. Apesar de não constar da ficha técnica, é quase certo que o synth usado foi um ARP, ícone dos sintetizadores dos anos 70 ao lado do MOOG. O álbum encerra com um duo do líder com o espanhol PACO DE LUCIA, uma faixa em que me peguei imaginando em sua transcrição para piano solo.

Pois é, esse não é um disco fundamental para a discoteca dos tecladistas, mas muito interessante pra qualquer um que goste de música com sotaque espanhol e pra se apreciar o ótimo trabalho de KATIA LABEQUE e FRANCOIS COUTURIER.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Michel Camilo - Rhapsody In Blue

A música de George Gershwin marcou minha infância nos filmes da Sessão da Tarde e só depois fui descobrir que junto com seu irmão Ira Gershwin seu legado era incrível. De todas as suas músicas Rhapsody In Blue é a que mais me gosto. Talvez pela clarineta que antecipa o tema já na abertura ou pelos inúmeros desenhos animados em que ela foi usada. A Disney em “Fantasia 2000” a utilizou e dessa vez com o sentido mais próximo da intenção do compositor. Ela foi encomendada por Paul Whiteman para um concerto com sua orquestra, mas quando foi executada pela primeira vez não estava pronta e isso sempre me intrigou, porque tendo sido tocada pelo próprio George ao piano, sempre fiquei imaginando o quanto de improvisação não ocorreu naquele momento. Rhapsody foi composta como “a América (do Norte) vista de dentro de um trem”. Com isso em mente, fica claro que a clarineta da abertura poderia ser o apito do trem avisando aos passageiros da saída da composição da estação e para nós ouvintes o início de uma composição do mais alto nível. Entretanto, as interpretações clássicas sempre foram muito presas, as jazzísticas tinham mais frescor, apesar de fugirem constantemente da parte escrita.

Quando soube que Michel Camilo havia gravado esta rapsódia com orquestra, fiquei mais do que curioso. Todos os seus discos são excelentes e seu vigor nas interpretações é fantástico. Demorei pra ouvir, mas a espera foi muito recompensada, pois o disco é excelente. Credito como sendo esta a melhor interpretação desta obra até hoje. Uma interpretação não se faz apenas com o solista. A Orquestra Sinfônica de Barcelona regida por Ernest Martinez Izquierdo está soberba. A orquestra pulsa, balança, swinga, junto com Michel. A respiração de todos os músicos dá um novo tom à obra. Não se trata de uma releitura. A partitura é seguida, mas os tempos são como os que imaginava terem sido quando o próprio Gershwin executou-a pela primeira vez. A locomotiva inicia com a clarineta e vai aos poucos aumentando sua velocidade, diminui em alguns pontos e retoma o caminho como um ser vivo. A orquestra parece exatamente isso, outro músico e não um conjunto de músicos. Parece só um ser.

Ao final da audição fica uma sensação de que perdemos alguma coisa, senão a convivência com a genialidade com Gershwin, o fato de não termos presenciado tão magnífico trabalho pessoalmente. Como em todo concerto espetacular só nos resta aplaudir de pé e pedir bis.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Niacin - Deep

Niacin é um grupo típico do nosso tempo. Um trio de rock com órgão não chamaria a atenção alguns anos atrás, mas nesse século em que reverenciamos e reconhecemos a importância do passado, Niacin é um power-trio de sucesso. Formado pelo excelente baterista Dennis Chambers (Santana), o extraordinário baixista Billy Sheehan (Mr Big) é totalmente centrado no órgão de John Novello.

A lista de tecladistas que o influenciaram impressiona pelo tamanho, mas nem um pouco pelas referências. O som do grupo tem referências claras de todos eles. Só pra se ter idéia eis alguns dos citados: Keith Emerson, Rick Wakeman, Chester Thompson, Jimmy Smith, James Brown, Stevie Winwood, Jack MacDuff, Edgar Winter, Jon Lord, Billy Preston, Greg Allman, Jan Hammer, Richard Tee. Todos influentes mestres do B3. Junto com Novello, alguns outros responsáveis pelo “ressurgimento” do instrumento são também Joey Defrancesco, Larry Goldings, Barbara Dennerlein, John Madeski.

Esse resgate da majestade do instrumento torna o Niacin um grupo muito interessante. Caso não fosse ele formado por 3 ótimos músicos, seu único atrativo seria a sonoridade do Hammond B3, já que em todas as músicas, de autoria de Sheehan e Novello - no caso desse álbum - falta um pouco de melodia. Sobra ritmo e entusiasmo, mas não há muito pra assobiar nesse disco. O baixo de Billy mantém uma pulsação constante em perfeita sinergia com a bateria de Chambers, mas algo que pudesse ser identificado como tema, seguido de uma variação e um retorno, não faria nenhum mal. O que acontece é que o timbre do Hammond impera; os glisandros logo chamam a atençãol o ritmo aumenta; o pé acompanha e já esquecemos do que nos fazia falta.

Nesse disco - lançado em 2000 - Novello usa além do Hammond, apenas um piano acústico e um elétrico Rhodes, o que conferiu ao álbum uma sonoridade bastante regular e "vintage", pra usar um termo da moda.

Temas como MEAN STREET’S (do Van Hallen), BLUE-MONDO, THIS ONE’S CALLED… e PANIC BUTTOM destacam-se, sendo que esta última lembra muito uma composição de Chick Corea, provável influência, já que o álbum anterior, de 1998, foi lançado pelo selo do músico.

Apesar do Niacin ser um grupo a procura de um tema, qualquer disco dele é audição obrigatória para um tecladista, seja iniciante, avançado ou profissional. O grupo faz jus ao sucesso internacional que alcançou.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

SPIN XXI - Contraponto

A SPIN XXI é a reedição da banda SPIN que fez sucesso no circuito alternativo do Rio de Janeiro e Niterói nos anos 70. Com isso em mente, há alguma expectativa ao abrir a embalagem do novo CD – CONTRAPONTO. Estarão eles com um pé no progressivo dos anos 70 ou terão revisitado seu repertório para um som mais pop? Com apenas quatro faixas (uma com duas partes), compostas na década de 70 e arranjadas no mesmo espírito e sonoridade, não há muito do que duvidar: legítimo progressivo ano 70. Logo nos primeiros acordes já se sabe a que veio. Profusão de hammonds. moogs e outros teclados com a sonoridade da época. Guitarras “chorosas” e baterias “nervosas”. As faixas são longas, como determina um dos postulados do rock progressivo, mas nem por isso perdem a pulsação. A banda é composta por Tatoo Magdalena (guitarras, violões e vocais), Eraldo Márcio Corrêa (teclados), Sylvio Sá Corrêa (bateria e percussão), Marcelo de Alexandre Venâncio (baixos, pedais, violões e vocais) e Kakao Fugueiredo (vocais e instrumentos incidentais). É exatamente sobre este último que recai a responsabilidade de retirar a banda do universo comum das boas bandas do neo-prog, movimento com o qual a SPIN XXI poderia ser facilmente confundido. Procurei um adjetivo que melhor traduzisse sua interpretação e enquanto ouvia o CD no carro, meu filho comentou: “Dramático esse cara!”. Pois é, os vocais são revestidos de uma dramaticidade e de uma teatralidade que remonta ao Gênesis era Peter Gabriel, mas sem cópias, apenas boas lembranças. Como eles mesmos dizem, depois de muitos anos na geladeira, o sonho ressurgiu. Foram quatro anos de ensaios e gravações para que o SPIN XXI retornasse aos palcos, com mais vigor e experiência e com uma bela mistura de rock, jazz, música clássica, música brasileira, folclore, country, folk e música antiga, além é claro do rock progressivo, que parece estar cada vez mais conquistando novos espaços e novos fãs. Para os que não conheceram o SPIN nos anos 70 aí está uma ótima oportunidade de conferir o retorno da banda, agora SPIN XXI.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Diapasão – Opus 1

Diapasão - Opus 1 - é praticamente o tecladista Rodrigo Lana, mas a rigor é um trio mineiro de rock progressivo com fortes influências de ELP, música clássica e toques de jazz. Formado por Rodrigo Lana (teclados), Gustavo Amaral (baixo e violão), Fabiano Moreira (bateria). Os teclados imperam durante todo o disco lembrando ora Rick Wakeman ora Keith Emerson. Mas não é um mero pastiche. Com clara influência clássica, eles contam com o apoio de Pedro Moreira (percussão), Ayran Oliveira (violinos) e Sergio Rabello (Cello) para criar um álbum criativo e muito interessante, com músicas longas, bem ao gosto dos progressivos, mas também com pequenas pérolas mais curtas. O álbum abre com a pomposa e longa DIAPASÃO, onde logo se percebe o talento de Rodrigo ao piano e sua capacidade inventiva, alternando timbres de cravo e cordas. Exatamente no cravo que nos vem à mente o mestre Wakeman, mas a divisão dessa música é bem diferente das composições deste. Logo após uma curta introdução, o piano assume a frente expondo uma nova melodia para aí sim prestar o que poderia muito bom ser um tributo ao citado mestre. Perto do fim ela se transforma em um tema típico do Emerson Lake & Palmer. No segundo tema, SOM DO BRASIL, Gustavo troca o baixo pelo violão pra expor uma bela e lírica melodia. São acompanhados pela percussão de Pedro Moreira. Sonata é uma música com toques clássicos como o título sugere. DO CÉU AO INFERNO continua no clima com a participação de um “quarteto” de cordas e FUGA apesar de seguir a mesma linha, com cravo e violão, funciona como uma introdução apara a poderosa NOITE A LA CAIPIRINHA, onde as lembranças da excelente banda alemã Triumvirat vêem à mente. JAZZ e PICCOLO FINALE iniciam ambas com o baixo de Gustavo e a última soa muito mesmo como um tributo a ELP, nas músicas como BENNY THE BOUNCE. As semelhanças indicadas aqui de maneira alguma desmerecem o álbum, pois estar perto dos mestres é algo extremamente difícil. Este belo álbum, com excelente material gráfico e lançado pela Masque Records, com certeza agradará aos fãs do rock progressivo e àqueles que querem expandir um pouco os seus horizontes musicais.

Evans, Evans, Evans & Evans

O pianista Bill Evans não é único, pelo menos no nome. Existem mais três. Em 1983 encontrei em uma loja de Copacabana (RJ), o LP ETUDES do RON CARTER com os seguintes músicos: BILL EVANS, ART FARMER e TONY WILLIAMS. Comprei o disco principalmente por causa do BILL. Mas não prestei atenção nas datas e só em casa percebi que não havia piano no disco - Evans faleceu em 1980. RON era o baixista, TONY o baterista, ART o trompetista e havia um saxofonista de nome BILL EVANS. THE PENGUIN GUIDE TO JAZZ, informa ser ele o terceiro BILL EVANS a usar esse nome. O segundo BILL EVANS (nascido em 1921) - sax, flauta, oboé e outros tantos além de vocal - adotou o nome muçulmano de YUSEF LATEEF, eliminando qualquer confusão entre ele e o pianista. A seguir uma pequena discografia de alguns desses BILLS.

BILL EVANS (3) nasceu em 1958 e integrou uma das muitas formações do grupo de MILES DAVIS. Trabalhou com JOHN MACLAUGHLIN e HERBIE HANCOCK. Seu timbre é quase uma combinação de PAUL DESMOND com MILES DAVIS, principalmente pela ausência de vibrato. Muito inventivo em seus solos, está mais para o fusion de MILES. Gravou alguns discos de ACID JAZZ, misturando jazz e RAP.


BILL EVANS (4) é um excelente banjoísta (se é que este mesmo o termo), bastante inventivo e criativo que toca “bluegrass”. Os instrumentos de seu disco NATIVE & FINE (ROUNDER CD 0295 – 1995) são banjo, rebeca, violão, baixo e tábua de lavar roupa como percussão, ou seja, bluegrass tradicional. Os músicos que o acompanham formam uma excelente banda de apoio ao solista. O CD vale a pena ser ouvido pelos que gostam do gênero ou não, porque a comparação com a música Celta é inevitável, já que o bluegrass é seu descendente direto no Novo Mundo.

BILL EVANS (2) ou YUSEF LATEEF tem álbuns muito interessantes, como YUSEF LATEEF’S LITTLE SYMPHONY (ATLANTIC 781757 - 1987) onde ele toca todos os instrumentos, HEART VISION (YAL 900CD – 1991) e METAMORPHOSIS (YAL 100CD – 1993) ambos pela sua própria gravadora, onde lançou 6 CDs e mantém plena atividade. Com a mudança de nome, possíveis confusões foram evitadas, mas foi por motivos religiosos. Não sei como seria se usasse seu nome de batismo, pois ambos são contemporâneos.

A capa do BILL EVANS (1) é do álbum SYMBIOSIS, composto, arranjado e conduzido pelo grande maestro CLAUS OGERMAN, um dos grandes arranjadores do jazz. Neste álbum com orquestra e trio, BILL dá mostras da sua incomparável competência. São ao todo cinco faixas abrangendo dois movimentos. Mais uma vez ele nos presenteou com um álbum essencial.

Keith Jarrett – The Carnegie Hall Concert

Existem discos que temos que ter por serem representativos de um determinado movimento, estilo ou artistas. Existem outros que temos que ter pelo seu próprio valor. “Keith Jarrett – The Carnegie Hall Concert” (2005/2006) com absoluta certeza encontra-se na segunda categoria. Jarrett é um artista único, polêmico em suas declarações e de talento indiscutível ao piano.

Este disco o traz em um dos seus contextos favoritos, o da improvisação solo, onde ele retoma uma prática comum do mundo clássico e recria de forma única a própria improvisação jazzística. Desde que fui atingido pelo seu “Köln Concert” de 1975, que fico estarrecido com sua criatividade e inventividade a cada novo lançamento. São vários seus álbuns seguindo esta linha, mas “The Carnegie Hall” é um dos melhores, não superando apenas o de Köln. Em uma antiga entrevista, Jarrett explica que procura limpar sua mente antes de sentar ao piano e provavelmente antes mesmo de entrar no palco. O que destaca esse disco dos outros são as melodias que são construídas, as vezes lentamente, outras vezes aparentemente do nada. Não é só uma. São várias. Ele pode lançá-las sobre um pulso constante de sua mão esquerda ou em um clima pastoral.

“Carnegie” é dividido em 15 faixas, ao contrário dos outros discos com penas duas ou quatro faixas. Desde que foi afetado por síndrome de fadiga crônica, ele teve que se reinventar. Substituiu suas longas performances por temas menores e com isso tornou-se muito mais acessível. As 10 primeiras são o próprio “Carnegie Hall Concert”. As cinco restantes são músicas suas, como “The Good América”, “My Song” e “Time on My Hands”. Jarrett é conhecido por exigir silêncio absoluto durante seus concertos e em sua apresentação solo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, a platéia era “convidada” logo na entrada a desligar o bip dos relógios digitais da época, que apitavam irritantemente a cada hora. Hoje com os celulares o “convite” deve ser ainda mais rigoroso, mas é absolutamente imperdível o que este talentoso músico faz no palco e poder ouvir suas performances pelo mundo um raro prazer.

Tony Banks - Seven

Conhecido como o tecladista do Genesis, Tony Banks sempre foi fascinado pela idéia de escrever música orquestral. Cinco das sete partes desta Suíte Orchestral foram escritas especificamente para o projeto SEVEN. Durante os sete movimentos, Tony Banks cria retratos orquestrais intensos. A serenidade que caracteriza os temas principais é contrastada por momentos de incômoda turbulência, mas sempre com resultados bastante interessantes, o que o torna em seu melhor trabalho solo. Geralmente, o acusado pela banalização da música do Gênesis é o baterista/cantor Phil Collins, mas basta ouvir os trabalhos pop do baixista Mike Rutherford ou de Banks, para perceber que a saída do universo progressivo se tratou de uma decisão conjunta. Banks nunca teve problema em assumir um papel aparentemente secundário. Banks nunca foi dado aos holofotes como Keith Emerson e portanto não é de se estranhar que venha com algo não tão pianístico. Ambos são excelentes pianistas, talentosos tecladistas e grandes compositores, mas os estilos completamente diversos, Banks não é dado a muitos solos e isso se repete em SEVEN. Este é um álbum no qual Banks transcende seu passado e cria a música madura de Ralph Vaughn Williams e de Edward Elgar.

Os sete temas – como antecipa o nome do álbum - são executados pela London Philarmonic Orchestra e pelo tímido Tony Banks ao piano, sempre muito discreto, o piano como integrante da orquestra e não um solista frenético envolvido ou protegido pela orquestra. Em suas notas, Banks diz que no estúdio, o tempo que gastava com o Gênesis para ter ao menos os instrumentos prontos era o mesmo no qual os músicos da orquestra esperavam já terem gravada uma música de 20 minutos que eles nunca ouviram. Segundo ele isso foi algo inesperado e após gravar quatro músicas, resolveu fazer uma pausa e retornar melhor preparado, com outro orquestrador e mais apto a encarar a orquestra. Não é trabalho de um instrumentista, mas sim de um compositor maduro e isso pode frustrar algum fã mais ardoroso Um disco para quem gosta de música, pra quem é curioso ou pra quem é fã de Tony Banks.

Chick Corea - Secret Agent

Esse álbum do Chick Corea demorou muito pra aparecer em CD. Essa versão praticamente recria a glória do som original. Chick Corea é um artista com uma extensa discografia. Quase toda, diria que 99% de altíssima qualidade. Não entendia porque um disco tão bom estava esquecido. Mas finalmente resolveram lança-lo. É um disco bastante eclético, como o próprio Chick e um item obrigatório pra qualquer apreciador do tecladista. Como diz no site do artista, poucas pedras “estilísticas ficam no mesmo lugar”. Aqui ele destila tudo o que sabe de rock progressivo, fusion, “bombastic esoteric funk” e seu sempre presente enfoque não convencional para a música latina. Músicas clássicas dele como "Slinky", "Fickle Funk" and "Central Park" além de participações especialíssimas de músicos como Al Jarreau, nosso Airto Moreira, Bunny Brunel, Gayle Moran (esposa, exímia tecladista e cantora). O disco soa muito bem, principalmente em passagens repletas de instrumentação variada como é o caso de “Central Park”. “The Golden Dawn” é a grande faixa de abertura e não poderia começar melhor, introduzindo o ouvinte ao universo sonoro da viagem que se seguirá. “Mirage” e “Bagatelle #4” – esta de Bella Bartok – são os momentos mais tranqüilos do disco, mas não menos carregados de emoção, excelentes duetos de Chick com Jim Pugh (trombone na primeira) e Gayle (vocais/coro na segunda). “Glebe St.Blues” é um blues em tempo rápido com ótima participação do naipe de metais, integrado pelo já citado Jim Pugh, Ron Moss, Bob Zottola, Al Vizzuti e o saudoso Joe Farrel, acrescidos de um quarteto de cordas que somente Chick Corea seria capaz de encaixar magistralmente em um arranjo. A faixa com Al Jarreau (“Hot News Blues”) é um blues lento cheio de surpresas. “Drifiting” é uma excelente composição perfeita para mostrar toda a qualidade de Gayle como vocalista. O disco fecha com Central Park. Mais que uma música é uma celebração à diversidade. As intervenções do quarteto de cordas são magistrais e o “duelo” com o trumpete de Al Vizzuti nos leva a concluir que ali o instrumento foi novamente redefinido. As notas agudas que ele aos poucos vai buscando – e achando – criam uma tensão realmente indescritível. Outro grande destaque é para o baixo de Bunny Brunel, excelente músico da escola de Jaco Pastorius, mas que assim como o mestre, tem um timbre muito particular em seu instrumento. Lançado originalmente no Japão está disponível agora no site do artista a um preço bem mais acessível.

Peter Baumann - Romance 76

Confesso que comprei esse LP mais pela capa do que pelo som. Estávamos em 1976 e o máximo de informação que conseguíamos era de que se tratava de um dos integrantes do Tangerine Dreams. Quando cheguei em casa e coloquei pra tocar tudo mudou. Enquanto era membro do grupo alemão, Peter Baumann lançou esse seu primeiro disco solo: Romance '76. Não é muito distante do som que o TD produzia na época, de fato há referências a Rubycon, Ricochet e Stratosfear aqui e ali – mas os arranjos de Baumann adicionaram clareza e direção. Em músicas como "Phase by Phase," o resultado é até circunspeto e abre muito espaço para uma atenção mais criteriosa pelo ouvinte. Mas no resto do álbum, encontramos Baumann com total controle sobre o que ele quer que o ouvinte ouça. Por exemplo, "Romance" introduz cuidadosamente novos sons, calculados com precisão para produzir os efeito desejado, um estilo que iria aparecer na produção de Baumann Grosses Wasser para Cluster. Esta e a faixa de abertura "Bicentennial Present" são típicas do que se produzia nos anos 70 como “música eletrônica”. A última especialmente parece com as melhores partes de "Stratosfear" destilada. Baumann mostra diferentes estilos de música eletrônica nas primeiras tres faixas, somente desafiando as expectativas do ouvinte com a semi-clássica "Meadow of Infinity." Onde misturou instrumentos orquestrais (cellos, vozes humanas, percussão) e eletrônicos, o compositor cria um poema sonoro usando apenas os sons necessários para descrever a ação. De muitas maneiras, "Meadow of Infinity" (junto com "The Glass Bridge," que conecta as duas partes) transcende o que Tangerine Dream era capaz de fazer, assumindo grande controle sobre a jornada do ouvinte do ponto A para o B, eliminando sons desnecessários. Claro que ouvintes atentos não se surpreenderão que Romance '76 é menos “cheio” do que os álbuns do Tangerine Dream desse período, mas isso é o que produz o mesmo efeito sem sequencers e camadas e mais camadas de sintetizadores. Definitivamente uma boa escolha para os fans do TD que pretendem alargar seus horizontes sem ficarem presos a faixas de 30m ou ao que se chamou depois de Euro-disco.

Gonzalo Rubalcaba - The Blessing

Gonzalo é um músico surpreendente. O primeiro disco que ouvi dele foi THE BLESSING, com Charlie Haden (baixo acústico) e Jack DeJohnette (bateria), dois músicos experientes dando seu aval ao pianista. Mas a grande surpresa foi ouvir um Gonzalo diferente do que comentavam sobre ele. Não estavam ali os ritmos cubanos rápidos. Era algo especial, mais para o toque delicado de Bill Evans, só que absurdamente lento e muito, muito bom. Ele literalmente “destrói”, “desmonta” com incrível naturalidade todos os temas que toca. Sua versão para BESAME MUCHO é fantástica, mas não ela não deve ser mostrada aos apreciadores do bolero tradicional. Gonzalo não tem a menor piedade em transformar o conhecido tema, muitas vezes interpretado de uma forma até apelativa, em algo novo e praticamente irreconhecível.

Quando Gonzalo improvisa, não há muita certeza de para onde ele irá. Ele segue seu próprio caminho e podemos ouvi-lo em sua plenitude em IMAGINE (de Lennon) ou GIANT STEPS (de Coltrane). Geralmente surpreende, seja com sua técnica ou com seu refinado bom gosto para colocar as notas certas nos lugares certos, sem abandonar, suas origens.

Gonzalo é um virtuoso. Mas sem efeitos pirotécnicos. Ele é contido. Reprime sua técnica em favor da composição, como Thelonius Monk. “Eu fico especialmente impressionado com a habilidade de Gonzalo em tocar uma balada” - palavras de Jack DeJohnette. “Todos se concentram nos elementos rítmicos da música Cubana. Eu penso que os aspectos melódicos e líricos que estou trabalhando são componentes igualmente importantes da personalidade latina e devem ser conhecidos.” - palavras do próprio Gonzalo, bem de acordo com o que se ouve.

Rubalcaba, ou melhor, Gonzalo Júlio Gonzales Fonseca Rubalcaba, estudou no Conservatório Amadeo Roldan e no Instituto de Belas Artes, ambos em Cuba. Desde 1980 vem excursionando pelo mundo e sendo descoberto por gente como o saudoso Dizzy Gillespie (com quem gravou GILLESPIE/GB EN VIVO pela Engrem), Winton Marsalis e muitos outros.

Yes - Fragile

FRAGILE é um álbum interessante. Começando pela ativa participação do co-produtor EDDIE OFFORD, famoso técnico de som dos anos 70, homenageado pelo Emerson Lake & Palmer com a música “Are You Ready Eddie?”. Sua participação fica clara logo na faixa de abertura, Roundabout, com o acorde de um piano soando ao contrário, invertido. Fazer isso em 1972 era muito trabalhoso. Por aí tem-se uma idéia do que foi investido nesse trabalho. Não se trata de um álbum qualquer. Foi pensado e repensado o bastante para se tornar o clássico que é hoje.

Cinco das nove faixas são solos, pouco habituais até hoje, de cada um dos integrantes e Cans And Brahms (arranjo de Rick Wakeman para o 3º movimento da 4ª Sinfonia de Brahns) um deles. Considerada por muitos um assassinato da obra de Brahns, tem o mérito apresentar a música clássica sem o didatismo em que normalmente é envolta. We Have Heaven é o “delírio” particular de Jon Anderson onde faz todas as vozes. Letra? Não existe. Apenas algumas palavras usadas para compor a cortina vocal. Tornou-se um clássico. Tanto quanto o barulho de porta se fechando e o de passos que antecedem South Side Of The Sky, que vem em seguida. Five Per Cent For Nothing é o baterista Bill Bruford em seu apogeu. Um tema de 16 compassos tocado duas vezes pelo grupo, que segue exatamente as complicadas divisões da bateria. Em The Fish é a vez de Cris Squire, com o discreto apoio de Brufors e Wakeman, mostrar seu lado inovador, usando o baixo para tocar todas as partes melódicas. Mood For A Day é Steve Howe sozinho ao violão. Uma bonita peça pseudoclássica que parecendo mais complexa do que é, soa bem em qualquer ocasião.

Heart Of The Sunrise é uma peça longa e mais pesada. “Climática” como quase tudo deles, mas que se escora no excelente baixo de Squire e na base de cordas de Wakeman. Em 1972 as guitarras me impressionavam mais, mas hoje minha atenção recai sobre Bruford, que com maestria dá toda a base com uma bateria discreta mas dificílima na introdução. Jon Anderson e a linha melódica surgem delicadamente mais como um por do Sol do que como nascer.
Como bônus, esse disco traz os excelentes desenhos de Roger Dean, responsável por todo o visual do grupo. Esta é mais um álbum básico em toda discoteca.

Laalo Schifrin - Marquise de Sade

O título deste disco de 1966 é: THE DISSECTION AND RECONSTRUCTION OF MUSIC FROM THE PAST AS PERFORMED BY THE INMATES OF LALO SCHIFRIN’S DEMENTED ENSEMBLE AS A TRIBUTE TO THE MEMORY OF THE MARQUIS DE SADE.

O álbum foi idealizado e produzido por Creed Taylor, que pouco mais tarde fundaria a prestigiosa CTI, para a Verve e gravado por Van Gelder, famoso engenheiro da Blue Note. Lalo criou um clássico ao fazer sua “adaptação” da música européia pré-clássica. Como diz no encarte: “o difícil de um projeto desses é a aparente não relação entre as antigas tradições e o novo enfoque musical”. The Blues For Johann Sebastian é uma prova de como ele se saiu bem. Dedicado à memória do filho mais novo de J.S.Bach, J.Gottfried Bernhard (1715-1739), é “uma tentativa de expressar o dramático lirismo da escola Barroca no formato de 12 compassos do blues”. Renaissance é peça baseada na progressão harmônica característica do período. Flauta, piano e guitarra improvisam sobre o tema tocado inicialmente pelo alaúde. The Wig é bem interessante, ainda mais sabendo que Lalo estava tentando compor enquanto ouvia Count Basie, Ramsey Lewis e Rolling Stones. Ele diz que o resultado final é chocante, mas é muito mais que isso. Beneath A Weeping Willow Shade é a transcrição de uma música de um dos primeiros compositores americanos, Francis Hopkinson (1737-1791) e o solo de flauta poderia muito bem ter sido tocado por Ian Anderson do Jethro Tull, mas é de Jerome Richardson. Lalo novamente nos diz sobre essa faixa que “mudei a melodia e a letra com o propósito de expressar minhas impressões sobre o bigode da Mona Lisa”. Versailles Promenade abre com o ineditismo do cravo improvisando em uma gravação de jazz. Grady Tate (bateria) e Richard Davis (baixo) compõe com Lalo o trio jazz-clássico. Lalo comenta que essa música “parte do charme e da elegância do período rococó; não há dúvida que este tipo de música foi a verdadeira causa da Revolução Francesa”. Troubadour tem Grady Tate arrasando sutilmente enquanto Lalo improvisa e os metais acentuam certas passagens. O improviso da flauta cita descaradamente música mexicana, enquanto a tônica são os poetas-cantores do século 12 e a sua versão contemporânea (em 1966) - os músicos de jazz.

MARQUIS DE SADE “é em memória (do próprio), um dos fundadores da moderna psicologia ao lado de Aeschylus, Shakespeare e Freud”. Lalo também disse: “eu imagino que esse era o tipo de melodia que ele murmurava durante suas alucinações”. Destaque para as intervenções do sax tenor de Ernie Royal. O álbum fecha com Bossa Antique, baseada em uma figura grave do tipo usada por Carl Phillip Emmanuel Bach. “Estou quase certo que essa seria a forma como ele teria escrito essa peça se tivesse tido oportunidade de visitar o Brasil com seu amigo Johann Joachim Eshenburg”.

Exageros à parte, que não passam de uma brincadeira de Lalo para descrever sua música, é um álbum imperdível. Em tempo: Lalo Schifrin é o autor do tema de Missão Impossível.

Joe Jackson - Heaven & Hell

Alguns anos atrás, na minha ignorância, Joe Jackson era apenas mais um cantor de um disco só. Night and Day continha o sucesso Steppin Out, exaustivamente tocada em 1982. Mas foi através desse disco que descobri um grande compositor, arranjador, multi-instrumentista de não apenas um, mas vários discos.

Busquei outros discos dele e não me arrependi. Diferentes entre si, mostram a evolução do compositor e arranjador. NIGHT MUSIC é uma pequena obra prima sem concessões. Qualidade de gravação excelente, músicas e arranjos ótimos, com uma instrumentação nada POP de violinos, piano, oboé e vocais clássicos, além da sua própria voz. Seu álbum seguinte foi HEAVEN & HELL (1997). Na mesma linha mas já definindo um estilo.
Este álbum trata dos sete pecados capitais. São oito faixas arrebatadoras (há uma introdução). A instrumentação segue a do anterior, com participação de vários convidados. O disco é creditado a JOE JACKSON & FRIENDS.

Curioso é que este disco foi lançado pelo selo SONY CLASSICAL. Uma tendência que vem aumentando da parte das gravadoras. John Lord do Deep Purple e Rick Wakeman também lançaram discos por selos clássicos. Iniciativa que aproxima um público não afeito à música clássica e serve para (re)educar toda uma geração de ouvintes de música.

No caso da Sony Classical, este álbum significa uma “pioneira” mudança de rumo. Peter Gelb, presidente da Sony Classical comentou: "Trabalhando com artistas como JJ, que transcendem gêneros, estamos tentando redefinir os objetivos de um selo clássico. Queremos voltar à idéia da música clássica como uma experiência emocional para o ouvinte. Usando músicos, de diversas formações, os quais ele sente que poderiam interpretar melhor suas idéias, JJ produziu um álbum onde, além de brilhantemente inventivo, irá atingir o lado emocional das pessoas.” O próprio JJ explica que as chamadas gravadoras “clássicas” estão hoje mais abertas do que as “pop”.

No site de JACKSON (http://www.joejackson.com/) é possível encontrar várias informações interessantes, inclusive uma declaração dele de haver se afastado da linha pop propositadamente, abdicando do sucesso que desfrutava, não estando mais disposto a “brigar” pelo sucesso ao lado de jovens de vinte anos. Corajoso.